Importação de máquinas agrícolas cresce 144% e aumenta pressão sobre a indústria brasileira
China e Índia lideram o fornecimento de tratores ao Brasil; vendas internas recuam e setor cobra medidas para fortalecer a produção nacional

A importação de máquinas agrícolas pelo Brasil registrou um crescimento expressivo nos últimos anos, ampliando a concorrência com os fabricantes nacionais. O avanço, impulsionado principalmente por equipamentos provenientes da China e da Índia, preocupa representantes da indústria, que alertam para os riscos à produção, aos empregos e à cadeia de fornecedores do setor.
Entre 2021 e 2025, o número de máquinas agrícolas importadas passou de aproximadamente 4,5 mil para mais de 11 mil unidades, uma alta de 144%, segundo dados divulgados com base em levantamentos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em 2026, a tendência de crescimento continuou: entre janeiro e setembro, as importações aumentaram 42% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Vendas nacionais em queda
Enquanto a presença de equipamentos estrangeiros cresce, o mercado interno enfrenta dificuldades. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuaram 15,8% em relação ao mesmo período de 2025.
O segmento de colheitadeiras apresenta uma situação ainda mais delicada, com queda de 39,4% nas vendas durante os oito primeiros meses do ano. O cenário reflete as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, incluindo o endividamento, a redução da rentabilidade e os custos elevados do crédito, fatores que desestimulam a compra de novos equipamentos.
China e Índia concentram as importações
Os dois países asiáticos se consolidaram como os principais fornecedores de tratores agrícolas ao mercado brasileiro. De janeiro a setembro de 2026, cada um forneceu cerca de 5,2 mil unidades ao Brasil. Juntos, China e Índia responderam por aproximadamente 93% das importações de tratores no período.
O crescimento da oferta estrangeira amplia as opções disponíveis aos produtores rurais, especialmente no segmento de tratores de menor potência, utilizados em diferentes atividades agrícolas. Entretanto, fabricantes brasileiros temem perder espaço diante de concorrentes que, segundo análises do setor, contam com vantagens de custo e escala de produção.
Empregos e produção sob pressão
A redução das vendas nacionais, combinada ao avanço das importações, pode comprometer a utilização da capacidade industrial brasileira. Representantes do setor alertam para a possibilidade de redução de turnos, fechamento de linhas de produção e demissões, além de impactos sobre empresas fornecedoras de componentes, pneus, aço e outros materiais.
A preocupação também envolve o desenvolvimento tecnológico e a manutenção de uma cadeia produtiva instalada no país. Caso a produção nacional perca competitividade, o Brasil poderá ampliar sua dependência de equipamentos e componentes estrangeiros.
Setor defende concorrência equilibrada
A Anfavea defende medidas que permitam equilibrar as condições de concorrência entre equipamentos importados e aqueles fabricados no Brasil. Entre as alternativas discutidas estão ajustes tarifários, melhores condições de financiamento e incentivos vinculados à produção local.
O desafio é conciliar a competitividade da indústria brasileira com o acesso dos produtores rurais a máquinas modernas e com preços acessíveis. A evolução desse cenário deverá influenciar tanto os investimentos no agronegócio quanto o futuro da indústria nacional de equipamentos agrícolas.